Na última semana de
março de 2026, o Agrupamento de Escolas de Santa Marta de Penaguião acolheu o
arranque de uma oficina artística que ficou como um momento marcante do ano
letivo 25/26 para a turma do 5.º B. A iniciativa, desenvolvida no âmbito da
disciplina de Português em articulação com a Biblioteca Escolar, nasce de uma
parceria com o Serviço Educativo do Museu do Douro e constitui um projeto de
fôlego, desenhado para acompanhar os alunos ao longo do ciclo.
A oficina é dinamizada
por António Júlio, reconhecido artista das artes performativas e diretor
artístico da Companhia Seiva Trupe. Com uma formação sólida e plural —
Escultura na Faculdade de Belas Artes do Porto, Teatro na ACE Escola de Artes e
Mestrado em Artes Cénicas na ESMAE-IPP —, António Júlio traz consigo décadas de
experiência como intérprete, ator, bailarino e performer. Foi ainda diretor do
Curso de Intérprete/Ator/Atriz na ACE Escola de Artes entre 2011 e 2025, onde
também lecionou, acumulando um percurso dedicado à criação e encenação de
projetos que cruzam teatro, dança e performance. A sua presença em contexto
escolar representa, por si só, uma oportunidade rara de contacto com a
excelência artística.
A primeira sessão,
realizada a 26 de março, preencheu 100 minutos com descoberta e inspiração.
Desde o início, o objetivo foi claro: explorar a leitura, a criatividade e a
expressão, colocando o corpo e a voz como instrumentos de aprendizagem.
Na segunda sessão,
os alunos mergulharam na obra O fato do tanto faz como fazia, de Sylvia
Plath. A atividade centrou-se na leitura expressiva e na compreensão do texto,
desafiando cada participante a experimentar entoações, ritmos e emoções
distintas na interpretação da narrativa. Através dos exercícios orientados por
António Júlio, os alunos foram convidados a dar voz às personagens, descobrindo
como a expressividade pode transformar e enriquecer o ato de ler. O resultado
foi visível: cresceu o à-vontade, cresceu a confiança.


A terceira e última
sessão aprofundou ainda mais esse caminho criativo. Partindo da mesma obra
de Sylvia Plath, os alunos aventuraram-se na adaptação do texto para encenação:
escolheram novos espaços, rebatizaram personagens e ajustaram ações,
aproximando a narrativa da realidade que conhecem e habitam. Este exercício
revelou-se um poderoso momento de aprendizagem — não apenas sobre teatro, mas
sobre a própria literatura: compreenderam que um texto não é estático, que pode
ganhar novas formas e significados quando reinterpretado, e que dar vida às
palavras é também uma forma de as entender mais profundamente.

Ao longo das três
sessões as competências desenvolvidas foram múltiplas: fluência leitora,
comunicação oral, interpretação de texto, pensamento criativo, trabalho
colaborativo e noções fundamentais do texto dramático — elementos como o
espaço, as personagens e a ação. Mais do que aprender sobre arte, os alunos
aprenderam com a arte.
Entre imaginação e
expressão, palavra e gesto, leitura e encenação, o 5.º B descobriu que a arte e
a literatura não existem em gavetas separadas — e que aprender pode ser,
também, uma experiência de criação.
Neste ano letivo que
agora se inicia daremos continuidade ao projeto, com os mesmos alunos agora da
turma do 6º B.
Este projeto é,
também, um exemplo concreto de como a escola pode abrir-se ao mundo. A
articulação entre a disciplina de Português, a Biblioteca Escolar —
espaço central na promoção da leitura e da cultura no Agrupamento — e o Serviço
Educativo do Museu do Douro demonstra que as aprendizagens ganham outro
relevo quando cruzam fronteiras disciplinares e estabelecem pontes com a
comunidade e o território. Esta parceria não se esgota nesta turma nem neste
ano letivo: ao longo dos últimos anos, o Serviço Educativo do Museu do Douro,
em articulação com a Biblioteca Escolar, tem desenvolvido oficinas criativas
com praticamente todas as turmas do Agrupamento, consolidando uma relação
continuada e frutífera entre a escola e uma das mais importantes instituições
culturais da região.
A Biblioteca Escolar
de Santa Marta de Penaguião, que ao longo do ano tem dinamizado projetos como o
“LER fora da escola”, 10 Minutos a Ler, o Concurso de Leitura e encontros com
autores, entre outras atividades, reforça com estas oficinas o seu papel como
motor cultural e pedagógico do Agrupamento.