quarta-feira, 8 de novembro de 2017

O Halloween nas nossas bibliotecas


O Halloween português


Em algumas regiões de Portugal continental (centro e sul) e nas ilhas, nomeadamente nos Açores, assistimos a uma tradição antiga e muito semelhante ao dia das bruxas(dos países anglo-saxónicos), no qual as crianças batem às portas pedindo doces ou travessuras (“trick or treat”). No dia 1 de novembro, dia de Todos-os-Santos as crianças saem à rua e juntam-se em pequenos bandos para pedir o “Pão-por-Deus”  de porta em porta. Em algumas povoações da Zona Centro e Estremadura chama-se a este dia o ‘Dia dos Bolinhos’ ou ‘Dia do Bolinho’. Os bolinhos típicos são especialmente confecionados para este dia, sendo feitos com base de farinha e erva-doce com mel (noutros locais leva batata doce e abóbora) e frutos secos como passas e nozes, ingredientes típicos das festas das colheitas. São chamados “santorinhos”. É também costume em algumas localidades, os padrinhos oferecerem um “santorinho” aos seus afilhados. Estamos perante uma espécie de “Janeiras” ou “Reis”, ainda antes do período pós-natalício. O dia de “Pão-por-Deus”, era o dia em que antigamente se oferecia pão, bolos, vinho e outros alimentos aos mortos, de forma a pedir pela sua alma. Era sobretudo uma tradição pagã que tem a sua origem no século XV. Com a instituição cada vez mais acentuada do Cristianismo, tornou-se um ritual cristão, ou pelo menos híbrido, no qual as crianças (e também adultos, mas menos) que participam nos peditórios representam as almas dos mortos que «nestes dias erram pelo mundo». Fazer sacos do “Pão-por-Deus” é uma tradição associada à própria tradição. Normalmente estes sacos são feitos de tecido e as crianças podem decorá-los ao seu próprio gosto. As crianças também costumam cantar canções ou cantilenas, como é o exemplo desta Pão por Deus/Fiel de Deus /Bolinho no saco/ Andai com Deus.
Também no norte de Portugal, a título de curiosidade, em Barqueiros, concelho de Mesão Frio, à meia-noite do dia 1 para 2 de novembro, arranjava-se uma mesa com castanhas para os parentes já falecidos comerem durante a noite, “não devendo depois ninguém tocar nessa comida, porque ela ficava babada dos mortos”. Em algumas ilhas dos Açores dão-se “caspiadas” às crianças durante o peditório, bolos com o formato do topo de uma caveira, claramente um manjar ritual do culto dos mortos.
Este ritual é também ainda hoje realizado nos arredores de Lisboa. Antigamente relembrava a algumas pessoas o que aconteceu no dia 1 de novembro de 1755, aquando do terramoto de Lisboa, em que as pessoas que viram todos os seus bens serem destruídos na catástrofe, tiveram que pedir “pão-por-deus” nas localidades vizinhas que não tinham sofrido danos.
Com o passar do tempo, o “Pão-por-Deus” sofreu algumas alterações, e os meninos que batem de porta em porta podem receber dinheiro, rebuçados ou chocolates, aproximando-se assim do americanizado e globalizado “Trick or treat”.

Fonte: Visão online
Adaptação de texto: Professor António Martins
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